Tuesday, August 30, 2005

This is how I feel

À custa do abandono, talvez, este meu pequeno blog foi colonizado por spam. Um destino.

Saturday, August 20, 2005

A sina feliz do regressante

Voltar do Sul com o Verão na pele e a vida ser tal e qual aquilo que me lembro dela.

Thursday, August 18, 2005

Presságio

Presságio à mão de semear, no Verão. Chegar cedo à praia e confirmar a felicidade na geometria do trilho das gaivotas.

Avô Latinus

À custa de ainda rapaz, sentado sonhador no molhe do porto de Ponta Delgada, ter visto demais o mar, perdeu-se-lhe para sempre o olhar. Toda a vida lhe falei sem saber se estávamos os dois no mesmo lugar.

Wednesday, August 17, 2005

Da pele

O que me morre faz-se pele. Como tu agora pele. Mas tão inútil à respiração.

Tuesday, August 16, 2005

No verão

No verão, ao meio-dia, só as aves têm a sua sombra.

Wednesday, August 10, 2005

O fim do horizonte

Quando chove na praia as crianças aborrecem-se em casas arrendadas à quinzena. Passeamos em estradas que cruzam serras áridas, terras de onde as gentes e as casas desertaram. As crianças lêem as placas sem acreditar: Falacho, Odelouca, Aldefara. Repetir nomes destes entristece-as e eu vou com elas. Alguém devia contar, nesta curva, a história do cativeiro das princesas mouras.
Ao fim do dia o céu e o mar têm exactamente o mesmo tom cinzento que apagou o horizonte.
Num lugar assim, sem contornos físicos, imponderável, em qualquer momento posso desaparecer.

Monday, August 08, 2005

O blog, a pele.

Este blog está entregue ao Verão. Como as cidades interiores, as florestas. A pele.

Thursday, August 04, 2005

O Verão dos ossos

Quanto mais magra mais triste parecia. Naquele Verão perseveraram agudos os ossos e a mágoa que lhes entrou.

Mãos pretas

Podemos procurar o mar, ouviu-lhe. Que não, fez-se de fazer fazendo-se pai, que o céu se tinha posto de nuvens cónicas, escuras, permanecidas, que os clarões, relâmpagos e estrondos viriam, e vieram antes que as palavras coincidissem com o mencionar cogitado.
Um só mergulho, que a vagação está boa e a tempestade não se nos afogueia a feição assim no passar de cinco minutos pois é de vir vindo, ouviu-lhe a insistência supliciada. Que não, fez-se de fazer fazendo-se continuadamente pai,
que era perigoso e que os mortos não se abraçam nem se deixam guiar, nunca mais.
E pensara, para sempre que o pôr dentro da terra coberto de terra de um filho é onde e só o Senhor de Todas as Coisas inexiste.
Ao pensar do embora, no sobretempo, chegou o trovão ao perto. Com o assusto e o desadivinhar, largou a mão do filho. Quando se deu de ser de perceber, viu-o perdido. Fulminado. Adveio o bafo coado da carne queimada e quando lhe tocou, uma textura ressequida, quase em crosta e aresta, e não havia mais olhar ao arredor.
Por milagre nunca de antes ouvido, as mãos tingiram-se-lhe de preto e assim ficaram, o que ele entendia como prova flagrante da sua culpa e se agudizava quando teimavam que o pranto era necessário à sua abalada consciência. Além das frases, e das orações que flagelam, as mãos pretas eram a única notação do amor que lhe restava. Ali, assacando-se, dissoluto, se dizia: Amo-te com o que tenho, meu filho querido.

Tuesday, August 02, 2005

A noite aos dois anos e meio


Sobressaltou-o um pesadelo. Disso o menino diz que tem medo nos olhos.

Hora crepuscular

É esta a hora em que a iluminação pública esmorece indistinta na paisagem, o dia adianta-se tão claro e encena um princípio outra vez.

Monday, August 01, 2005

Um amor em R.

Nunca tive antes um amor em R. O meu encanto pelo rio, pelos bairros altos, as praças velhas, os jardins e as avenidas luminosas foi inteiramente desinteressado. Ele que é de lá mudou tudo na cidade que andámos juntos. Hoje tenho um pacto muito arriscado com as ruas de R. Nada nas pedras, no ferro ou na luz é desinteressado.

Adições

Malfadado mas bem dito.